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Fazer Negócios no Paraguai: Guia Completo para Empresários Brasileiros

05 de janeiro de 2026
15 min
Por Júlio N. Nogueira e Victor Navarro
Fazer Negócios no Paraguai: Guia Completo para Empresários Brasileiros
Guia completo sobre como estruturar operações no Paraguai: tipos de empresa, tributação, custos, cultura e armadilhas a evitar.

Fazer Negócios no Paraguai: Guia Completo para Empresários Brasileiros

Tem um momento em que o empresário percebe uma coisa simples.

O que ele construiu pode ser grande. Mas ainda não é livre.

E liberdade, aqui, não é uma bandeira. É uma arquitetura: fiscal, societária, bancária, operacional e, no fim, familiar.

O Paraguai virou opção real por um motivo prático: ele facilita a vida de quem quer produzir, vender, exportar e organizar capital com previsibilidade. Sem romance. Sem atalho.

Por que o Paraguai virou "rota" e não "moda"

O sistema é simples e competitivo. O famoso "Triple 10" existe porque o país decidiu trocar complexidade por previsibilidade: IVA 10%, imposto empresarial 10% e imposto pessoal 10%.

Agora soma isso com três coisas que o Brasil, hoje, tem dificuldade de entregar na mesma intensidade:

  • custo de transformação competitivo
  • logística Mercosul
  • energia abundante e muito competitiva para indústria

E sim, existe incentivo de verdade para quem faz projeto sério, não para quem quer "jeitinho".

Primeiro passo: decidir que tipo de empresa você quer ser no Paraguai

Aqui é onde muita gente erra: escolhe estrutura por costume, não por função.

1) EAS (Empresa por Ações Simplificadas)

É a "porta de entrada" moderna.

  • pode ter 1 sócio
  • processo digital
  • costuma ser a via mais rápida quando você quer começar leve
  • não exige capital mínimo formal

Se você quer testar operação, abrir trilha bancária e validar mercado, a EAS costuma ser o caminho mais inteligente.

2) SRL (Sociedade de Responsabilidade Limitada)

Boa para operação com sócios e governança simples.

  • mínimo de 2 sócios
  • limite de 25 sócios
  • responsabilidade limitada ao aporte
  • mais "tradicional" para negócios familiares

3) SA (Sociedade Anônima)

Quando o jogo pede escala, reputação e estrutura de governança.

  • mínimo de 2 sócios
  • formato mais robusto para operações maiores e relações bancárias mais exigentes

4) Sucursal de empresa estrangeira

Serve, mas tem um custo invisível: responsabilidade costuma "subir" para a matriz. Se a sucursal tomar pancada, a matriz sente.

5) Empresa unipersonal e EIRL

Pode funcionar para pequeno negócio, mas atenção: "empresa unipersonal" mistura risco com pessoa física. Já a EIRL separa, mas tem regra de capital vinculada a "jornales", não a dólar.

Abertura na prática: o que acontece no mundo real

O Paraguai criou um modelo de "balcão único" para simplificar.

  • SUACE: sistema unificado para abertura e fechamento de empresas
  • EAS: trilha digital, com constituição em janela curta em muitos casos

O que vai ditar prazo não é o "manual". É o seu grau de preparo documental e a sua organização para banco e compliance.

Documentos que você deve tratar como "kit básico"

  • documento de identidade válido
  • certidões e antecedentes, com apostilamento, quando aplicável
  • comprovantes de endereço
  • estrutura societária desenhada antes de protocolar (quem é sócio, quem assina, quem responde)

E aqui entra uma regra de ouro para estrangeiro: para ser representante legal, a residência migratória pesa. Sem isso, você tende a precisar de representante local residente ou sócio residente, dependendo da rota.

Tributação: o que importa de verdade para quem faz negócio

Regime geral

  • IVA: 10% (com alíquota reduzida em situações específicas)
  • IRE (renda empresarial): 10%

Dividendos e remessas

Existe imposto sobre dividendos e utilidades com diferença relevante por residência do beneficiário. Isso não é detalhe, é design de fluxo.

Regimes especiais que mudam o jogo

  • Maquila: lógica de tributo único de 1% sobre a operação, voltada à exportação e a cadeias produtivas desenhadas com método
  • Lei 60/90: incentivo a investimento de capital e projeto produtivo, com regras e requisitos próprios
  • Zonas francas: arquitetura para indústria, serviços e comércio sob regime especial

O ponto não é "pagar menos". É pagar de forma previsível e defensável.

Banco e compliance: onde os amadores desistem

Abrir empresa é fácil. Abrir e manter estrutura bancária saudável é o verdadeiro funil.

Bancos pedem prova. Origem de recursos. Beneficiário final. Coerência entre faturamento, contratos e fluxo.

E o detalhe importante: para conta bancária corporativa, o representante legal residente tende a facilitar muito o processo.

Se você quer operar internacionalmente, o desenho "Paraguai + estrutura operacional fora" pode entrar na conversa, mas só com clareza: estrutura não é residência fiscal. Confundir isso custa caro.

Custos operacionais: o que pesa no DRE

O Paraguai é competitivo por três linhas do DRE:

  • imposto menor e mais simples
  • custo de energia muito competitivo para indústria
  • encargos sociais mais previsíveis, com IPS como eixo central

Quer uma leitura honesta? Seu custo cai mais quando você muda a forma de operar, não quando você muda o endereço do CNPJ.

Cultura e execução: o que não está no PowerPoint

  • networking local destrava portas
  • relações pessoais importam
  • processo exige presença e acompanhamento, especialmente na fase inicial

E aqui vai uma provocação útil: quem tenta "ter pressa sem estrutura" acaba pagando duas vezes. No custo e no retrabalho.

Armadilhas clássicas que viram problema

  • abrir LLC fora e continuar residente fiscal no Brasil achando que resolveu
  • achar que "residência migratória" automaticamente vira "residência fiscal"
  • operar sem substância e sem prova documental
  • misturar conta da empresa com vida pessoal
  • subestimar banco e KYC

Setores que mais têm tração no Paraguai

  • indústria e transformação com foco Mercosul
  • maquila e cadeias exportadoras
  • serviços e tecnologia quando bem estruturados
  • agroindústria e logística regional

Checklist de decisão em 10 perguntas

  1. Sua renda vem do Brasil, do exterior, ou é mista?
  2. Você quer vender no Paraguai, exportar, ou os dois?
  3. Precisa de conta internacional desde o dia 1?
  4. Você tem sócios? Vai ter?
  5. Quem será o representante legal no Paraguai?
  6. Você tem estrutura para provar origem e fluxo de recursos?
  7. Seu negócio exige Maquila, Lei 60/90, zona franca ou regime geral resolve?
  8. Qual o nível de complexidade que você aguenta manter por 5 anos?
  9. O plano é operação ou também reorganização patrimonial?
  10. Qual é o custo de não fazer nada em 2026?

Conclusão

O Paraguai não é "atalho". É plataforma.

E plataforma só funciona quando a arquitetura está inteira: empresa, imposto, banco, prova, governança.

A Ponte Paraguai entra exatamente aqui: diagnóstico primeiro, depois decisão, depois execução com rastreabilidade.

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